Armazén Bar - A tradicional casa do Rock'n Roll e do Blues em Bauru/SP - Pingas Próprias

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Depoimentos

O Armazén Bar, fez e faz história no cenário musical da região. Confira aqui o que aqueles que mais conhecem o bar têm para falar.


Conheça a história do Armazén Bar

Na Boca do Povo

Eraldo Bernardo (Super Liga Kathólika e Stage) (2003)

Armazén: 20 anos

Fim de tarde de um dia qualquer do ano 2000. Parado na calçada da Pedro de Toledo, como em um filme de Bergman, faço uma lenta panorâmica com a cabeça. Meu olhar parte da imponente "gare" central, corre pelo velho e torto muro que margeia a esplanada da ferrovia, se insinua pelas folhas recém-nascidas dos chapéus-de-padre na alta primavera, até se encontrar com a graciosa casa da praça Parteira Bernardina, uma das esquinas do mundo, berço e abrigo de toda uma geração. Em um zoom-in longuíssimo, meu olhar atravessa a praça, dissolve as paredes e leva minha mente à uma celebração à meia-luz. Uma batida constante, ao fundo, vai se amplificando. Já ouço o som da guitarra. Estamos em festa.

Armazén Club Bar. Seu titânico balcão de madeira-de-lei nos recebe calidamente, emitindo vibrações parecidas com as que reconhecemos ao chegar em casa. Suas paredes ainda não sentem o peso dos 20 anos. Sacudidas por anos a fio pelo melhor que já houve e há no pop do interior de São Paulo, ainda exibem um vigor pungente. São paredes vivas. Essas paredes, que ainda recebem em ruidosa cumplicidade os modernos e os bem-pensantes de todas as origens e todos os credos, parecem ainda ecoar os distantes acordes dos anos 80, a década da New Wave, do Apple computer, do Windows, das Malvinas, da seleção de Telê, das Diretas-já e da Queda do Muro de Berlim. A década que assistiu ao início do movimento cultural de massa da juventude bauruense. Paredes impregnadas com a história de uma juventude que sonhou com intensidade.

Aos 20 anos, esse ambiente mágico, de luz refratada em garrafas de pinga prismáticas e multicoloridas, suspensas como em uma escultura de Duchamps, ambiente de evocativos aromas e sabores (e amores), continua a exercer sua atração sobre novos garotos e garotas, e nele somos capazes de entender o diálogo perfeitamente equilibrado entre o tradicional e o novo, entre o caos e a ordem, entre Apolo e Dionísio. Território franco e aberto, sua atmosfera ainda inquieta e surpreende. Experimento radical da contra-cultura, já era mundial quando o termo "globalização" ainda era apenas uma mal-humorada palavra acadêmica. As suas mulheres continuam deliciosas, esgueirando-se como ninfas da modernidade entre as mesas feitas de carretéis de madeira reciclados. Já não vestem flores no cabelo, como no início (dizem até que freqüentemente se vê por ali completos "gears" Donna Karam, Channel e outros). Os garotos rotos dos anos 80, contestadores e alucinados, náufragos tardios de 68, foram lentamente substituídos pelos frenéticos "cyberkids" sintonizados com a Terceira Onda. O hipertexto se tornou o dialeto do velho "Arma", sua segunda natureza.

Inserido na paisagem moderna, o Armazén continua desempenhando o papel de quartel-general da vanguarda regional, acolhendo tendências que dificilmente teriam como se expressar em liberdade neste grande "MacWorld" de prazeres plastificados. Nestes vinte anos o Armazén tocou a vida de muita gente. Toda uma vertente interessante e produtiva da cultura jovem de Bauru poderia hoje estar censurada pela absoluta falta de espaço, não fosse Paulo e Valéria na casa da Parteira Bernardina. Referência de modernidade nestes sertões caingangues, esse autêntico patrimônio da cultura bauruense assiste ao nascer do novo século em plena forma, como uma usina efervescente de comportamentos e posturas, alimentada pela energia dos novos garotos e garotas.

Nesta tarde qualquer do ano 2000 o sol se põe sobre a esplanada. Os trilhos da ferrovia refletem mil tons de carmim e escarlate, como cordas de guitarras flamejantes se estendendo em direção ao oeste. A fachada da casa da Parteira Bernardina se torna rubra e começa a mergulhar na noite que chega. O ar estremece ao passar de um trem. Pouco a pouco os novos heróis do rock'n'roll começarão a chegar, nesta noite mágica. E os novos garotos e garotas se unirão na celebração desse espaço imortal. E cantarão a Paz, como sempre foi. Vida longa ao Armazén e seus meninos em seus 20 anos. Vida longa a todos que um dia ousaram sonhar, viver e cantar canções, felizes e livres, abrigados e seguros entre suas doces, vivas e ilimitadas paredes.

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