Na Boca do Povo
Teófilo Santiago (Publicado na Tribuna do Leitor do JORNAL DA CIDADE, 27/11/1999)
Armazén da Resistência
Ir ao Armazén é, inicialmente, sair de um planeta desbaratinado para mergulhar num estado de espírito que nos leva a um tempo em que levantávamos os punhos contra os generais, ainda que fosse com um copo de pinga de canela na mão, ungidos pela "Parteira Bernardina".
Ir ao Armazén é tomar um Jack Daniel`s cowboy no velho balcão de madeira, ao som de um rock da Hell, do blues do Soul+Blues e da impagável máquina registradora.
Ir ao Armazén é sentar no latão de leite, comentar sobre a atual e saber sobre a próxima atração (quem sabe o Danny Vincent....).
Ir ao Armazén é para "dinossauros", que não perdem a ternura jamais, e para a galera da "tribo do rock", do thrash e do death, e prove o contrário quem não acha que "o rock não morreu".
Ir ao Armazén é roteiro obrigatório do "foca" da faculdade, que não pode voltar para sua cidade sem ter como dizer aos conterrâneos:''eu fui ao Armazén".
Ir ao Armazén é curtir uma jam session, como não há outra igual. Há 19 anos o Armazén escreve uma página da história da nossa cultura e, entre um gole e mais outro, um acorde e um solo, um soluço e um pileque, embala o sonho já de duas gerações.
Encontramos com nossos filhos e nossos pais por lá.
Após 19 anos de resistência, ir ao Armazén é ajudar a fazer o Paulão reclamar menos do movimento e resguardar, de calça Lee ou com uma Fórum, uma trincheira que abraçou os melhores filhos desta e de outras terras.
Quem era estudante em 1981, hoje é um doutor, padre ou policial, e guarda no peito uma saudade sem igual. Para ir ao Armazén, é preciso ter uma acesso a uma senha imaginária, que não é fácil conseguir, eis que é preciso muito desprendimento de modismo e de lugares comuns.
Enfim, ir ao Armazén é viver em um tempo em que um bar era para embalar nossos melhores sonhos, sonhos de que valeu a pena resistir, na luta, na estrada, por longos 19 anos.
Valeu Paulão, Valéria e todos do Armazén.
Um abraço fraterno
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